Italianos venceram sem problemas africanos e conquistaram o terceiro título mundial, o primeiro chancelado pela Fifa. E não foi desta vez que o presidente da Fifa viu um time da África campeão de um torneio profissional da entidade
O sonho do Mazembe, da maioria da torcida que estava no Zayed Sports City e ao redor do mundo, e até do presidente da Fifa (Federação Internacional de Futebol Association), Joseph Blatter (que sonha em ver um africano campeão de alguma competição oficial), durou 13 minutos. Foi quando Pandev recebeu passe de Eto’o, invadiu a área e chutou deslocando a bola do goleiro Kidiaba.
Foi o início de uma vitória tranqüila para a Internazionale de Milão sobre a zebra da República Democrática do Congo por 3 a 0, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, na final do Mundial de clubes. O segundo gol foi marcado por Eto’o, que comemorou de forma esquisita, carregando nas mãos dois sacos plásticos de supermercado. O terceiro foi de Biabiany. Os italianos foram pela primeira vez campeões mundiais do torneio chancelado pela Fifa, mas já tinham vencido o intercontinental por duas vezes, em 1964 e 1965. O rival Milan tem três intercontinentais (1969, 1989 e 1990) e um Mundial Fifa (2007).
Milan, aliás, que originou a primeira manifestação mais intensa de torcida na partida, quando um torcedor invadiu o gramado, com dois minutos, com uma flâmula da equipe rival da Inter nas mãos. O estádio, com bom público (mais uma vez entrou em ação os ingressos e transportes gratuitos), era 70% a favor do Mazembe. Até os torcedores colorados, que viram antes o Inter vencer o Seongnam por 4 a 2 e ficar com a terceira colocação, torciam para os africanos, apesar da derrota na semifinal – e xingavam o juiz japonês em português quando ele marcava algo contra o Mazembe.
Mas a diferença técnica era imensa e fez os torcedores do Inter brasileiro que ficaram no estádio para a decisão se perguntarem mais uma vez: como o time comandado por Celso Roth conseguiu perder para a equipe do Congo, país que ocupa apenas o posto 178 no ranking da Fifa? Apesar de fortes fisicamente e alguns deles velozes, como Kuluyituka, os congoleses são inocentes em diversos aspectos. Além de fazerem uma marcação em linha na defesa, que deixou o argentino Milito duas vezes frente a frente com Kidiaba, ficavam em impedimento em lances simples, como cruzamentos em rebotes de escanteio.
A Inter dominava e esfriou de vez todo o estádio que torcia contra aos 17 minutos, quando Eto’o fez o segundo gol aproveitando furada de Pandev. Kidiaba, o goleiro que ficou famoso com a dancinha esquisita dos pulinhos sentados, enlouqueceu, gesticulou e mostrou que tem um tique: quando leva gol pisca os olhos sem parar.
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